sexta-feira, 30 de novembro de 2007

É hora do TENHO.


Não tem jeito, eu sou intensa e ponto. Quando eu quero, eu quero, quando eu não quero, pode oferecer o mais luxuoso café de paris que eu não vou se quer sonhar com o seu glamour. Me apaixono por palavras bonitas, sorrisos doces e divagações longas. Não gosto de português, mas gosto de palavras. Viciada em física. Apaixonada por cabelos The Strokes. Almejo o impossível. Esqueço o improvável. Não tenho sensibilidade pra fotos, mas choro lendo livros. Princesa de filmes de ação. Coadjuvante de novela mexicana. Eu já cansei de buscar perfeição, de querer o que –no fundo- eu sei que não existe. Chega. Eu não vou mais tentar. Tá na hora ser um pouquinho mais solidária com o coração, né Dona Lívia?! Agora eu passei da fase ‘Procura-se’ pra fase ‘Permita-se’. Eu to assim, em off. Não quero mais me preocupar com as coisas que eu tenho que fazer. Agora chegou a hora de ver o que eu tinha que fazer. Eu tinha que ser mais calorosa. Tinha que ser uma filha melhor. Tinha que ser mais simpática. Tinha que ler mais. Tinha que escrever melhor. Tinha que estudar pro vestibular. Tinha que esquecer o MSN. Tinha que ver DVD junto com meu irmão (e aproveitar e ensinar pra ele que metade das coisas que os adultos falam é mentira, porque eu ainda não esqueci minha infância, e eu me lembro bem de como eu via as coisas). Eu tinha que ser uma pessoa melhor. Eu tinha que me permitir. Tinha que esquecer aquele vizinho idiota que tem uma barriga-travesseiro (p-e-r-f-e-i-t-a, diga-se de passagem) que não para de me ligar. Tinha que desligar o celular na peça do teatro. Tinha que, de fato, ter 15 anos. Tinha que viver. Tinha que ser. E depois de fazer todos os tinha’s, vai ver eu consigo começar a quilométrica lista do tenho. E pra isso, meu bem, tem que esquecer o passado, arregaçar as mangas e pular na pista. Afinal, intensidade é o que não me falta.
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P.S.: Hoje eu to precisando de um livrinho de auto-ajuda. --'

...e o príncipe chega.


Cansei. Chega. Não é possível. Não dá pra entender como uma pessoa pode esquecer do mundo e de suas piores obrigações, depois de ver um sorriso bonito (lindo, perfeito, Hollywoodiano, diga-se de passagem). Eu me irrito quando isso acontece, quando eu fico babando, feito uma boba anestesiada quando eu vejo um cara. Eu me irrito porque eu sei que eu vou sofrer no final. Porque eu sei que os caras não nasceram pra ‘babar’ desse jeito. Ou, se nasceram, eu ainda não tive o enorme privilégio de encontrar um deles. Mas aí vem a pergunta: ‘Porque ficar assim, tão idiota, com cara de apaixonada, se você o conheceu a 3 segundos atrás?!’ Eu nunca consegui responder. Ou, pelo menos, nunca tinha me dado conta da resposta. Flah constatou sabiamente: ‘A gente fica assim, perdida, completamente encantada com o cara sem o menor motivo, não só porque ele tem um sorriso perfeito, isso também ajuda, mas o principal é que a gente NUNCA fica assim com ninguém e, quando isso acontece, vem com toda intensidade do mundo, e a gente começa achar que ele é, de fato, perfeito. Mas na verdade, só a gente que enxerga essa perfeição’. Ta aí, exatamente. É a coisa mais difícil do mundo eu me encantar desse jeito com alguém. Diria até que muito improvável. Eu acho sempre lindos, maravilhosos, fofos, mas para aí. Agora, ficar babando, perder a fala, o chão sumir?! Isso não. Isso é artigo raríssimo. Mas é bom quando acontece. Como disse Flah, a gente precisa disso, faz falta. E faz mesmo. Faz uma falta IMENSA, diria eu. Mas machuca também. Afinal, esses amores efêmeros são os que mais machucam porque, na maioria das vezes, eles só vêm de um dos lados. Mas, a vida é isso. A gente tem que procurar muito, muito mesmo, até encontrar. Porque, como diria Vinícius, o amor só é bom se doer.
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P.S.: Por que as pessoas não conseguem ficar no seu lugar de origem? Por que? Por queeeee?!
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Despedidas

Despedidas. Do ano, do curso, dos amigos. Eu seria hipócrita demais em dizer que não vou sentir saudades de ter a mesma ocupação todas as terças e quintas as quatro e meia da tarde. Sim, eu sentirei muita falta. Porque, como dizia o poeta, nada é em vão. É impressionante ver como a gente pode encontrar as pessoas da nossa vida nos lugares mais inusitados. Eu já vi (e presenciei) milhares de histórias de amores em shopping centers, amizades no ponto do ônibus e coisas do tipo. Mas a minha história não tem nada de inusitado. Um curso de inglês, assim como tantos outros, e ao mesmo tempo tão diferente. Amigos. Uns colegas, que entram e saem da nossa vida como tantos outros. Mas a maioria, amigos. Amigos daqueles que a gente pode ter certeza que pode ficar anos sem se ver, mas quando se encontrar de novo será a mesma coisa. As mesmas risadas. As mesmas emoções. Amigos que construíram oito anos da minha história. Alguns menos, mais recentes, mas não por isso menos importantes. É difícil deixar pro lado uma coisa que a gente faz por tanto tempo. Aí eu me pego pensando: ‘Se eu já quis tanto parar, porque, agora que acabou, eu quero tanto que dure mais?’. Porque foi intenso. Porque eu aprendi. Porque eu tenho que agradecer a cada pedra daquele chão por hoje, eu falar inglês do jeito que eu falo. Pode parecer idiota e infantil, mas essa é a verdade. Afinal, foram oito anos. Não foram oito dias, nem oito horas, nem oito meses. Não. Foram oito ANOS. É complicado se desvencilhar. Mas, a hora chegou. Como na vida tudo tem um fim, eu preciso me acostumar com o fim das coisas. Eu não vivi o bastante pra ter muitos fins na minha vida, e os poucos que eu tenho sempre me incomodam. Me entristecem. Mas, deixa. Ano que vem vai ser o fim da escola, e eu tenho certeza que vai ser pior ainda. Mais tristeza, mais choro. E esse ano, eu vou ter que agüentar a dor de deixar alguns que eu posso nunca mais voltar a ver. Mas, que (a maioria ainda nem sabe) me fazem tão bem. Só a presença me cativa. Me deixa a vontade. Me deixa feliz. Parece dramático, afinal nenhum de nós mudará de cidade, muito menos de país, mas é que é difícil voltar a convivência. Diria até que pouquíssimo provável. Pelo menos, para a maioria. Mas, a vida é isso. Coisas começam, coisas acabam, coisas pelo meio. O importante é saber que o passado valeu a pena. E valeu, valeu muito a pena. Não foram poucos os micos, nem os nervosismos por conta de projetos. Nem as risadas (que dessas eu nem vou citar). Enfim, eu só tenho a agradecer. ‘Brigada por deixarem as minhas tardes mais legais e não entendiantes. E pros que sumirão, talvez não fosse mesmo pra serem eternos (com perdão da expressão).




P.S.: Desculpa se não ficou tão bom como deveria, mas é que as vezes as palavras embaralham tanto que entopem, e não saem. As pessoas mais importantes são as mais difíceis de serem descritas. Um dia eu consigo descrever vocês. Um dia.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Você enxerga?



Correria. Gritaria. Confusão. Brigas. Bombas. Peruiçe. Riqueza exacerbada. ‘Enquanto metade do mundo quer emagrecer, outra metade passa fome’.
O mundo anda mesmo de cabeça pra baixo. Felicidade, onde está? Vai demorar muito pra passar por aqui?
Renato Russo olha a janela. Fogos de artifício. Crianças pedindo esmolas. Saltos Versace passeiam sem compaixão. Avenida movimentada. Corações vazios. Talvez o mundo agora seja só pobreza. Pobreza de cultura, de dinheiro e de coração. Pobreza de espírito. Pobreza, porque quando nós vemos uma noticia que diz que o cara mais rico do mundo doou 80% da sua fortuna pra crianças carentes, a gente pensa: ‘Que idiota!’. Pobreza que não vai se curar.
Eu ainda procuro entender os segredos da vida. Entender porque o que é demais nunca é o bastante. Porque só se dá bem quem sabe mentir. Porque quem está do mesmo lado que eu, muitas vezes deveria estar do lado de lá.
Renato Russo fecha a janela. Talvez ele entendesse mais da vida do que eu. Mas ele, assim como eu, não quer enxergar. Ele também não está preparado pra sair gritando pelas ruas, e organizar passeatas contra-fome. Muito menos doar 80% do seu pouco dinheiro pra quem tem menos ainda. A escola ensinou, a mamãe ensinou, mas eu devo ter faltado essa aula.
Mas Renato Russo soube (e sabe) o que fazer pra ajudar o mundo.
E eu? E você? O que nós vamos fazer?
Queimar os seus envernizados saltos Versace não vai adiantar, meu bem. Não vai mesmo.
Mas... pode ser um começo. Quem sabe?

Think about it. We must do something.


P.S.: É, hoje eu acordei meio pensante. A gente precisa fazer alguma coisa. Afinal, the saints are comming.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Amor de palavras


Um amor não precisa ser lindo. Não precisa ter cabelos lisos escorridos e olhos azuis cintilantes. Um amor precisa ter um perfume. Um cheiro. Daqueles que você pode reconhecer a quilômetros de distância, e que te faz lembrar quando ele está longe.
Um amor tem que ter palavras. Frases. Pequenas afirmações perdidas em guardanapos dobrados, ou post-its com fotos de beijos.
Ele não precisa saber falar bonito. Não precisa ser um dicionário ambulante que usa palavras difíceis (e que você nunca entenderia o significado) pra falar o quanto ele te querer. Um amor não precisa escrever bem. Não precisa ser Shakespeare nem Chateau. Não precisa de frases copidadas e coladas. Ele só precisa escrever com o coração. E saber, que VOCÊ precisa sim de toques macios, beijos lentos e com sabor de açúcar, sorriso apaixonado e olhares perdidos, mas que você precisa, principalmente, das palavras. Palavras que traduzem o que o coração sente. Palavras que são, nada mais nada menos, que tudo. Palavras que não vão se importar de serem escritas por uma letra torta e fora da linha. Que não vão se quer perceber quando a garganta dá um nó que parece não sair nunca. Palavras que só esperam por ser ditas.

E você, espere um amor que também goste das palavras. Que goste do sublime e do efêmero (por mais longo que o efêmero seja). E possa, sem constrangimentos e sem ser comandado por um schip programado, dizer com toda ser certeza do mundo, e com os olhos mais brilhantes que nunca: Eu te amo.


P.S.:E que você saiba entender a veracidade e o significado dessas três palavras. Que eu tanto almejo, um dia que sabe, poder compreender.
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domingo, 25 de novembro de 2007

Coragem



“Se alguém te der uma folha pautada, escreva no sentido contrário."

Bonita frase, essa. Ela é de um livro da Sebold, e eu a escolhi como uma espécie de filosofia de vida (ou melhor, uma das minhas filosofias de vida). Ela demonstra exatamente o quanto eu tenho raiva de todas as coisas pré-supostas e todos padrões impostos. É tudo tão sem vida, tão sem personalidade, sem cor. Os clichês estão se tornando cada vez mais freqüentes. Talvez pelo medo do erro. Ah, mas.. pensando bem, é bem mais fácil seguir uma coisa certa, já revisada e pronta, do que tentar coisas novas pra ser diferente. Afinal, pra que eu preciso ser diferente se o fulaninho-num-sei-do-quê era assim, e se deu bem? Não. Não é bem assim. O que funciona com o vizinho, com a amiga e o Bill Gates não será necessariamente o que funcionará com você. Cada um é cada um. Com seus erros, suas aflições, tentativas, descobertas.
É certo também, que Murphy sempre dá um jeito de fazer o patê cair virado pro chão, mas a gente tem que aceitar isso. Caminhar sempre pra frente, com a certeza de que sendo o Tempo uma 4ª dimensão ou não, ele nunca volta atrás. Dar razão a tudo o que se ouve, não é, nem nunca será certo. A gente precisa dizer que existe o outro lado da moeda. Gritar, lutar, berrar, e acima de qualquer coisa ter coragem. TUDO, absolutamente tudo na nossa vida, só dará certo se tivermos coragem. Coragem de fazer e de assumir, por menor que seja o feito. Coragem de levantar a cabeça, e não se abater com o fora, mas chorar no colo daquela amiga que você liga no meio da madruga só pra contar pela milésima vez o quanto você foi burra de ter confiado tanto no seu ex. Coragem de abrir a porta do quarto quando você está sozinha em casa e ouve um barulho. Coragem de dizer ‘eu te amo’. Coragem de largar o trabalho na sexta a noite, e encarar uma daquelas viagens-programa-de-indio, sem um tostão no bolso, com a galera da faculdade. Ou, uma coragem simples. Coragem simplesmente de virar a folha do papel pautado.


P.S.: E coragem de dizer: ‘Eu não me importo com você’. Afinal, é necessário dizer isso de vez em quando, não é?

(:

Beijo


Andava pelo centro tumultuado com um enorme sorriso no rosto. Seu olhar demonstrava toda a sua ansiedade. Seu coração mal cabia no seu peito. Uma mecha de cabelo brincava, caindo no lado esquerdo do seu rosto.
Sua respiração se tornava ofegante a cada passo além que ela dava. Mal podia esperar por aquele momento. Uma adrelina adolescente pulsava nas suas veias escondidas debaixo de sua pele branca.
E foi na esquina do banco mais movimentado que ela o avistou. Com seus dentes brancos, simétricos e perfeitos, e aquela sua boca, que era digna de um quadro de da Vinci, ele sorriu pra ela.
Rapidamente seus passos aumentaram, e o vento batia mais forte em seus cabelos castanhos cacheados, iluminados pelo sol da tarde.
Ele também devia estar com o coração na boca. Foi num impulso único que a pasta pesada de um dia de trabalho caiu ao chão.
‘Oi!’ – disse ele. Mas não houve necessidade de palavras. Não mais. Ela respondeu segurando sua nuca, e tocando seus lábios nos dele. Como se estes sempre estivessem ali. Ou talvez, como se eles nunca tivessem que ter saído.
E foi num beijo cinematográfico, desses dar inveja a qualquer ator de Oscar, que ele se esqueceu de seu terno e gravata impecáveis. E ela, de seus altos scarpin Herchcovitch.
E permaneceram ali, num romance com toques Hollywoodianos, por um tempo que ninguém nunca vai saber medir.
As pessoas passavam e olhavam. Deviam estar felizes, ou até mesmo com inveja, de ver em pleno horário de pico, onde todas as pessoas do mundo se preocupam mais com o preço do dólar e com o trabalho de amanhã do que com sua própria felicidade, um casal de executivos que se esqueceram dos seus deveres por alguns minutos, pra serem felizes. Pra se beijarem, e aproveitar cada segundo daquele fim de tarde de sexta-feira.
Ou talvez, não esqueceram, mas eles estavam ali. Provando pro mundo que ainda existe (seja lá como cada um chame esse sentimento) uma força única. Sublime. Necessária. Indispensável. Que pode sim, mudar a vida das pessoas.

‘Oi.’ – disse ela. E se beijaram novamente.


E parabéns pra quem consegue entender a pureza desse sentimento.

sábado, 24 de novembro de 2007

Baby, baby.. life goes on.


E ela lia a Vogue, ao som de ‘Karma Police’. Sua vida tinha se tornado um pouco mais vazia nesses 15 anos.
Antes, ela sonhava com as férias antes mesmo que elas pudessem se aproximar. Eram brincadeiras, corridas, tardes inteiras na rua. Que, é claro, sempre rendia um ou dois machucados na perna.
Mas quem se importa?! Até porque tinha a certeza de que outro dia viria, e esses machucados certamente se multiplicariam.
É tudo tão fácil quando se é criança! Primeiro porque os garotos são vistos como seres de outro planeta, que não merecem nada além de nosso desprezo, justamente por serem tão chatos, tão infantis, tão apurrinhantes, e arghh! Você simplesmente não consegue imaginar como aquela menina do ginásio consegue beijar a BOCA de um garoto!
Afinal, tudo que eles sabem fazer é colocar minhocas nos sapatos das pessoas e brigar com vocês (você e mais as outras vinte cinco amissíssimas que pensam exatamente o mesmo sobre a espécie) na sala de aula.
E você também não consegue entender porque os adultos são tão chatos, e tão.. como é mesmo a palavra? Ah, estressados. E-s-t-r-e-s-s-a-d-o-s. Essa foi a palavra que criaram pra definir uma pessoa que passa o dia trancando num escritório fechado, com ar-condicionado ligado, e que depois de tanto tempo não sabe nem mais definir o que é a ‘luz do dia’. Ou então, aquelas pessoas que (você nunca entenderia como) acham chato brincar de pique-pega nas casas em construção.

Mas, por incrível que pareça, o tempo passou. Os hormônios entraram em ebulição total, e os garotos agora não são nem de perto aquelas criaturas que você tanto menosprezava. Agora você quer eles. Você começa a fazer planos pra qual seria o garoto ideal pra você. Começa a juntar as coisas boas que cada um tem, pra você poder, no final, ter um padrão ideal. Não de beleza (ou, pelo menos, não SÓ de beleza), mas principalmente de caráter. Ahhh, caráter. Ta aí o seu novo motivo pra ter raiva dos garotos. A falta de caráter de um faz você começar a achar que caráter é uma coisa que falta no código genético de todos os homens do mundo. Aí você, depois de um super-toco, chora, chora e chora. Torrencialmente. E pragueja todos os idiotas que existem, e repete pra quem quiser ouvir que a partir de hoje, você não vai mais de apaixonar por ninguém. E, no começo, você realmente acredita nisso.
Mas aí, vem o outro lado. Sim, porque junto com a nova visão sobre os garotos você tem também uma nova visão sobre os adultos. A adolescência começa a querer te mostrar que pra você ter o seu próprio iPod, você VAI ter que ficar trancado dentro do escritório, sem ver a luz do sol. Exatamente do jeito que você mais condenava. Ou, vai saber, pior.
É menina, o tempo passa. O tempo voa. O tempo é talvez a coisa mais constante e ao mesmo tempo imprevisível que existe. 15 anos. 15 longos-curtos anos. Talvez, a metade de uma vida. Ou talvez, o começo dela. 15 anos muito bem aproveitados. 15 anos de muitos machucados (tanto na pele, como no coração). 15 anos que marcam que você tem uma vida inteira, e imensa pela frente.

E a música acabou, e ela até ficou feliz. Não gosta de ‘Radiohead’ mesmo, e ‘Karma Police’ é deprimente demais pra se ouvir num sábado tão bonito.
E ela olha a janela. E percebe, enfim, como o dia é lindo, e como é tudo tão certinho, tão nos seus lugares. Não, ela não ia gastar sua vida trancada num escritório. Ou, na real das hipóteses, no seu quarto, lendo essa droga de revista fútil. (afinal, pra que diabos serve a Vogue?!)
Ou, pelo menos, não num sábado. Não em quanto ela só (ou seria JÁ?) tem 15 curtos-longos anos.

O que não faz um sorriso...


É impressionante ver o quanto a gente pode se sensibilizar com coisas que nós nunca esperávamos que fosse.
Eu sempre quis ser fria. Eu cresci dizendo pra mim mesma que,sendo fria, as coisas são melhores e mais fáceis. E se a gente for parar pra pensar isso é verdade. At least, se envolvendo menos, consequentemente nós acabamos nos machucando menos.
Mas, daí me vem alguém com um sorriso lindo e destrói toda minha filosofia.
Ahh, como é bom e ruim ao mesmo tempo nos deixarmos levar pela paixão do momento.
E quando eu falo de paixão é paixão por qualquer coisa. Pela vida. Pelo sol. Por um livro. E, porque não, por um carinha que você achava que n-u-n-c-a ia te dar bola?
But, whatever... no momento eu estou mais apaixonada pelos meus planos de vida do que por qualquer coisa.
Sem nenhum carinha com sorriso lindo, sem nada.
E, olha, é bom. Diria até que é muito bom. Apaixonar-se por si mesmo pode ser melhor e mais beneficente do que se apaixonar pelos outros.

P.S.: E, enquanto isso, eu sigo lendo “O caçador de Pipas”. E é com lágrima nos olhos eu tenho que admitir em alto e bom tom: eu chorei. Pela primeira vez na minha vida eu chorei lendo um livro.
É.. espero que isso seja bom.